Tramontina - Blog do Mestre

Churrasco

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Quanto mesmo?

Quanto mesmo? 2018-06-15 23:59:00

Tiago foi o último do seu grupo de amigos a deixar a casa dos pais. Mas, veja bem, o rapaz tinha motivos nobres para isso. Seu pai, Norberto, era um exímio churrasqueiro, daqueles que causam inveja tamanho o conhecimento na arte de assar. De sexta a domingo, era sagrado: a família e os amigos disputavam no tapa cada lasca de maminha alho e óleo que saía da sua grelha. Então, me parece bastante justo que, aos 32 anos, o menino Tiago quisesse garantir o seu lugar à mesa antes de todo mundo.

Por livre e espontânea pressão da namorada, Tiago decidiu que era hora de ser dono do próprio carvão. A notícia foi muito comemorada pelos amigos (e pelos pais, então, nem se fala!), que prontamente se convidaram para o churrasco de inauguração do apartamento novo.

Embora fosse mesmo fã número 1 dos churrascos de Norberto, Tiago ficou tanto tempo na casa dos pais mais por ser mão de vaca do que pela vaca em si. E já estava suando frio só de pensar na Mega Sena acumulada que custaria aquela festança. Como se não bastasse isso, todos esperavam que Tiago fosse o herdeiro natural das habilidades churrasqueiras do pai. Coisa que não depende exatamente da genética, como sabemos bem. 

O dia do churrasco finalmente chegou. E mesmo nervoso, Tiago conseguiu acender o fogo sem grandes complicações. Os convidados começaram a chegar e, logo, se espalharam pelo pequeno apartamento como farofa pelo chão. Na churrasqueira, tudo corria relativamente bem para o novato. Até que os últimos pedaços de picanha ficaram prontos, e Tiago precisou ir à geladeira para reforçar o estoque. 

A luz da geladeira cegou seus olhos por alguns segundos, foi aí que ele percebeu o tamanho da desgraça: havia comprado carne de menos. E o churrasco ainda estava longe de acabar. Tiago, então, tem uma ideia desesperada e leva para a grelha tudo o que encontra pela frente: hambúrguer congelado, salsicha, presunto, ovos de codorna e até um pote de picles. 

Vocês sabem que eu não posso deixar um atentado dessas proporções passar em branco. Era hora de intervir e (tentar) salvar esse churrasco de um desastre completo. Aproximei-me silenciosamente, enquanto Tiago cortava os hambúrgueres em tiras, e perguntei:

“Problemas com o churrasco, meu jovem?”  

“Mestre! Que bom ver você aqui!”, respondeu alegremente o rapaz.

“Vejo que você se perdeu nas contas”, provoquei já sabendo a resposta.

Tiago deu um sorrisinho amarelo: 

“Sabe como é, mestre… eu sou de humanas!” 

“Sorte a sua que eu sou de bovinas… quer dizer, de churrascos. Vamos dar um jeito nisso!” 

“Primeiro, você precisa aprender uma das leis mais importantes do churrasco: a lei da abundância. Faltar carne no churrasco é o verdadeiro pecado da carne. O cálculo perfeito é o seguinte: você deve prever 500g de carne sem osso e 700g de carne com osso por pessoa. Mas como o ser humano é imprevisível, sempre é bom garantir as entradas. Pão de alho, linguicinha, coração de frango. Isso ajuda a acalmar a fome das feras”.

Mais confuso do que vegetariano no açougue, Tiago fazia seus cálculos com certa dificuldade:

“Se tem 10 pessoas aqui hoje… 10 vezes cinco… menos quatro…”

Balancei a cabeça, incerto de que meus ensinamentos teriam algum resultado por ali, tentei a abordagem prática, preparando as porções de carne junto com meu discípulo. 

“Espero que você seja melhor de churrasco do que em matemática. Vamos lá: você vai receber 10 pessoas aqui hoje, certo? Então, é só multiplicar 10 por 0,5. Ou seja, dividir por 2. O que dá 5kg de carne. Você pode servir 1 kg de linguicinha toscana, 0,5kg de maminha, 0,5kg de lombinho de porco, 3kg de picanha.”  

“E como eu devo escolher as carnes, Mestre?”, quis saber Tiago.

“Ah, meu filho. Isso é assunto para um outro encontro. Mas, por enquanto, basta saber que o kit básico está de bom tamanho. Maminha, picanha, costela, fraldinha e linguiça toscana. Com tempo e prática, você aumenta o seu repertório. Não tenha pressa. Você precisa respeitar o churrasco se quiser ser um churrasqueiro de respeito”. 

“Por falar em churrasqueiro de respeito, Mestre, deixa eu te apresentar o meu pai!” 

Era Norberto, o pai de Tiago. Trocamos um olhar de cumplicidade e um longo aperto de mão. Um mestre churrasqueiro reconhece outro imediatamente. Meio embasbacado, Norberto exclamou:

“Há quanto tempo, Mestre…” 

Antes que ele repetisse meu nome em voz alta, deixei o lar daquele jovem churrasqueiro. Tiago percebe o clima estranho e pergunta ao pai:

“Vocês se conhecem?” 

Tentando disfarçar, o pai responde meio sem jeito: “Ahn? Ah, aquele senhor… acho que ele joga bocha comigo nos fins de semana. Sai mais uma costelinha aí, filhão?”. 

E foi assim que a tradição churrasqueira da família de Norberto foi salva.

Mestre Churrasqueiro - Tramontina

Sobre o Autor

Antes da invenção do fogo, os homo sapiens estavam perdidos. Sem nenhum propósito no mundo. Até que um homem das cavernas bateu duas pedras e delas tirou uma faísca. Você pode pensar que ele foi o hominídeo mais importante da história, mas não se engane. O mais impressionante aconteceu depois. Um homem surgiu com um pedaço de carne e o colocou no fogo. Aí sim, tudo fez sentido. Esse homem, até então desconhecido no mundo, existe até hoje. Seu conhecimento na arte de assar, grelhar e transformar carne crua na maior refeição que existe se acumulou durante os últimos milhares de anos. Sua existência é uma lenda? Sim. Mas acredite: ele existe. É conhecido como Mestre Churrasqueiro. E essa é a sua história.

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