Casa e Decoração
Terapia do lar
julho 2012
O que sua casa diria a você se pudesse falar? Talvez reclamasse do rodapé que precisa ser trocado há anos ou daquele armário que entristece por lembrar alguém que já se foi. Por mais que seu apartamento não fale, você pode diagnosticar o que há de errado com ele.
O designer de interiores Maxwell Gillingham-Ryan percebeu que a melhor maneira de construir um lar é pensar nele da mesma forma como você pensa o seu próprio corpo. Há problemas, sintomas e maneiras de cuidar da sua casa - assim como você cuida da sua saúde. No livro “Terapia do Apartamento”, Ryan propõe um tratamento de oito semanas que promete deixar qualquer casa super saudável.
Comece encarando as paredes, o chão e o teto como um esqueleto. As cores e formas são como o coração. O que você faz e como interage com a sua casa funciona como seu cérebro. Tenha olhos e ouvidos para detectar os problemas e mãos para acabar com eles. Por exemplo, quando se diz que a casa precisa respirar não se está falando que basta abrir as janelas. Os móveis precisam de espaço, e os armários de organização. Não é preciso tornar-se um obcecado por arrumação e sair a colocar todos os livros e revistas em ordem alfabética nas prateleiras. É só dar um jeitinho naquela poltrona na qual ninguém senta há meses – e que, ainda por cima, atrapalha a passagem. Conceda ao seu apartamento a chance de dar um suspiro: troque os móveis de lugar e, atenção, entenda a hora de se desfazer de alguns deles. Quanto aos livros, não abarrote as prateleiras. Deixar 10% do espaço livre e organizá-los em pé é o suficiente para dar a eles um pouco mais de fôlego.
O hábito de comprar e nunca jogar nada fora é a obesidade da casa, e a cura não é o exercício físico, mas o desapego. Quantas panelas você jogou fora depois de voltar da loja com um jogo novinho? Empilhar novas aquisições sobre as mais antigas nunca é uma boa opção. Quando comprar algo novo, não adicione, substitua. O acúmulo de bugigangas ao longo dos anos faz com que você viva em um ambiente de uma pessoa que você já não é mais.
Todos nós mudamos. Se você já não usa o cabelo que usava na década de 70, não faz sentido ter os lençois do enxoval do casamento que já acabou. Lembrar é bom, mas vamos com calma. Ter em casa um objeto símbolo de uma relação que não existe mais é ser obrigado a lembrar dela toda vez que os olhos correrem pela sala pode não fazer bem para você e, logo, não faz bem para a sua casa. A sua energia mexe com as vibrações do lar. Se é pra recordar melhor trocar aquele bibelô que foi presente de um amigo com quem você se desentendeu por fotos da melhor viagem da sua vida. Você, mais que qualquer decorador caríssimo, sabe o que lhe faz sentir verdadeiramente em casa.
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