Gastronomia e Receitas

Na praia ou na lareira

julho 2012

Há algo em comum entre o turista que relaxa nas areias de Ipanema e o peão que enfeita o horizonte do extremo sul do Brasil. No Rio de Janeiro, o chá-mate gelado refresca quem está curtindo a praia. No Rio Grande do Sul, o chimarrão esquenta o gaúcho no rigoroso inverno do Sul. E uma planta, a erva-mate, faz a ponte entre os cenários opostos.
Você nem percebeu, mas a erva, há séculos parte da cultura gaúcha, deixou de ser usada apenas como um ingrediente para o chimarrão e vem ampliando sua versatilidade. No litoral do Sudeste e Nordeste, o consumo do chá, feito da folha da erva, também virou tradição. A bebida combina perfeitamente com o clima tropical brasileiro. É servida gelada, ideal para matar a sede no verão. Com gosto um pouco mais suave que o do chimarrão, o chá-mate pode ser puro, adoçado ou ainda misturado com frutas (o limão dá um casamento perfeito) e sucos. Um estudo feito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) comprovou os poderes do chá, que é capaz de barrar o envelhecimento celular. Por isso, até ganhou o nome de “elixir da longa vida”.
Com fragrância e cor bem características, a planta também é usada na gastronomia e na fabricação de cosméticos. Já pensou em comer um bolo de erva-mate ou hidratar a pele com um óleo produzido a partir do extrato da planta? Tudo isso é possível hoje em dia. Diferentemente das bebidas, nos mercados de higiene e cosméticos a erva-mate só foi descoberta há pouco tempo, quando os empresários se interessaram pelas propriedades medicinais da planta. O extrato de folhas selecionadas tem ação adstringente e cicatrizante. A alta quantidade de polifenóis ajuda no combate dos radicais livres e, para a alegria das mulheres, investiga-se até a possibilidade da erva-mate auxiliar na eliminação das celulites e gorduras localizadas. Foram lançadas, assim, diversas linhas de xampus, óleos corporais, hidratantes, perfumes e sabonetes feitos com extrato da planta.
A indústria farmacêutica também investiu no uso da erva para a fabricação de medicamentos. A Illex paraguariensis, nome científico da planta, tem uma poderosa ação antimicrobiana e já está presente em alguns compostos usados no tratamento de hipertensão, bronquite e pneumonia. No Brasil, no entanto, a erva-mate ainda não é considerada um medicamento, e sim, um alimento.
Por falar em comida, como um ingrediente gastronômico a erva não deixa a desejar. O gosto marcante e amargo se tornou exótico e atrativo na cozinha. Já surgiram receitas de pães, bolos e massas com erva-mate. Os quitutes foram bem recebidos por quem degustou, e novas criações, como geleias, balas e sorvetes, aparecem a cada dia. Primeiro, veio a tradição. Mas, aos poucos, a erva-mate ganha espaço no campo da inovação.

 

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