Meio Ambiente

Ventos que sopram o futuro

outubro 2011

Nem sempre é apenas pelo ecologicamente correto (muita gente só quer reduzir o valor da conta de luz), mas o fato é que a energia eólica vem crescendo como alternativa residencial à (cada vez mais cara) energia elétrica gerada por meios convencionais. Nos Estados Unidos, em 2010, houve um crescimento de 26% no mercado das pequenas centrais eólicas projetadas especialmente para casas e pequenas empresas. No Brasil, o aproveitamento do potencial eólico ainda é modesto, mas o Ministério de Minas e Energia prevê que nos próximos dez anos a participação da energia gerada pelo vento subirá de 1% para 7% no total de energia elétrica produzida no país.

E antes que o leitor desista por achar que aquelas torres de quase 100 metros de altura não ficariam muito bem ao lado da plantação de margaridas do jardim, vale destacar que existem vários tipos de centrais eólicas “residenciais”. A mais popular ainda é uma versão (bem) reduzida dos cata-ventos gigantes, mas é cada vez mais comum a adoção de aerogeradores verticais pelos grandes prédios, e mesmo no Brasil já estão em andamento alguns projetos de condomínios sustentáveis que fazem uso desse mesmo tipo de equipamento. O primeiro deles fica em Florianópolis e deve estar em operação em 2012. Duas turbinas (cada uma custou US$ 16 mil) serão responsáveis por esquentar a água de 24 casas com a ajuda de painéis solares.

Não existe um levantamento de quantos domicílios no Brasil geram eletricidade através do vento (na China, as pequenas turbinas abasteciam mais de 1,5 milhão de pessoas já em 2009). Geralmente, as casas que optam pelo aproveitamento da energia eólica continuam sendo abastecidas também pela concessionária de energia da sua região. Quando não há vento o suficiente, a energia é fornecida pela empresa e o usuário não fica sem luz. E o contrário também se aplica: quando o vento é intenso, diminui a quantidade fornecida pela concessionária e, consequentemente, diminui o valor da conta no final do mês.

Mas existem limitações. Além de a instalação do sistema ainda ser relativamente cara, a energia eólica só pode ser aproveitada em locais cuja velocidade do vento seja de pelo menos 4,5 m/s (é possível descobrir qual é a velocidade na sua região no site do Centro de Referência para Energia Solar e Eólica). Além disso, o ideal é que o “cata-vento” esteja seis metros acima de qualquer obstáculo num raio de cem metros. Isso implica que ele seja posicionado a pelo menos dez metros do solo, o que pode incomodar os vizinhos. Vale convocar uma reunião da associação de bairro antes da instalação.

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