Comportamento

A Renascença do faça-você-mesmo

junho 2011

Tudo nasceu como um hobby. Depois de uma semana de trabalho nos seus escritórios, homens e mulheres começaram a utilizar o tempo livre para cumprir tarefas manuais, quase como uma terapia contra a burocracia da vida corporativa. Montar um armário, por exemplo, deixou de ser uma mera tarefa doméstica para se transformar numa diversão em família.

Essa foi a gênese da cultura do faça-você-mesmo, que atende pela sigla DIY (do it yourself, em inglês), na segunda metade do século 20. A virada do milênio, no entanto, trouxe novidades. O hobby se transformou em filosofia de vida para aqueles que acham que a existência só é completa se construída pelas próprias mãos. Grande parte do renascimento do movimento tem relação com a tecnologia e com o clima colaborativo promovido pela internet.

Hoje, uma pessoa sem instrução em design industrial pode ter uma ideia de produto e confeccioná-lo partir de uma impressora de três dimensões e de programas de computador cada vez mais amigáveis para o usuário comum. Você não leu errado: impressoras de três dimensões, capazes de realizar “impressões” de artigos reais, estão ficando cada vez mais baratas. Ao invés de apenas olhar o desenho numa folha de papel, teremos protótipos elaborados nestas impressoras. Digamos que você bolou uma nova embalagem para um produto e precisa testá-la. Estes equipamentos são capazes de montar um protótipo físico da embalagem, um produto tridimensional que você poderá pegar com a mão.

Um dos exemplos mais radicais - e apaixonantes - da movimento DIY atende pelo nome de Open Source Ecology. Um grupo de fazendeiros, engenheiros, projetistas e entusiasmados de qualquer facção está criando uma série de projetos de máquinas essenciais para uma vida autossustentável no campo. São 50 equipamentos que estão ganhando projetos baratos que “qualquer pessoa” pode fazer em casa, como tratores e empilhadeiras. O objetivo é contribuir para a redução dos custos do trabalho no campo e fazer a tecnologia chegar lugares que dependem de um empurrão para atingir o desenvolvimento.

Impressoras tridimensionais e projetos “open-source” (construídos em regime do colaboração, em que não há um único dono) são a ponta mais avançada da revitalização da cultura do faça-você-mesmo. O trabalhador urbano, no entanto, não precisa se engajar numa nova filosofia de vida para atingir a tão sonhada sessão de terapia com suas ferramentas no final de semana. Ele pode se apoiar em milhares de sites e fóruns encontrados na internet que ensinam e ajudam a terminar os projetos. Construir em casa é um hobby cada vez mais sofisticado.

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