Comportamento

Todas as nossas famílias

dezembro 2009

Quando dezembro chega, uma avalanche de compromissos invade o calendário. Hoje, o amigo-secreto dos amigos do colégio. Na terça, foi a vez da festa de final de ano da escola do filho. Semana passada houve o Natal do bairro e, ontem, o tradicional churrasco dos companheiros do futebol. Nos intervalos, sucessivas visitas ao shopping center para comprar presentes.

Faz muito que o Natal deixou de ser um dia de celebração religiosa com os mais próximos. A religião não perdeu a posição central do feriado, mas ampliamos a duração das comemorações - e o conceito de família. Numa sociedade onde o tamanho das famílias vem diminuindo, as pessoas parecem ter adotado novos círculos de união profunda e duradoura, um sentimento que alguns, com medo de soar piegas, relutam em chamar de amor.

Os colegas de trabalho, por exemplo, passam mais horas ao nosso lado que nossos pais. Nos confortam e nos divertem em situações que o círculo de sangue seria incapaz de compreender. Quem não sente alegria genuína ao lado de um amigo de longa data, como se o amigo fosse um verdadeiro irmão? Quem não tem uma turma que se apoia nas horas difíceis, comemora as vitórias e, quando necessário, entende o valor do silêncio? 

Os amigos formam a família que escolhemos. Uma família distante dos laços da sangue, mas próxima do coração. Uma família que não substitui o amor genuíno dos nossos pais, mas sabe compreender as nossas angústias em tempo real, quando a urgência surge.

A agenda de dezembro reserva festas importantes, compromissos inadiáveis. Não existe mês mais rabiscado no calendário do que dezembro. E a concentração de brindes tem a mesma razão para todos nós: fazemos parte de muitas famílias. Em dezembro, queremos estar ao lado de todas elas.
 

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