Gastronomia e Receitas
Lubrificante baiano
setembro 2009
Um estranho ingrediente entra na dieta alimentar de milhões de foliões que invadem Salvador a cada carnaval. São quase 3 milhões de pessoas que se espalham pelas ruas da capital baiana aos rodopios e transformam a cidade no palco da maior festa popular do planeta.
Essa multidão é submetida à apimentada culinária baiana, grande parte dela preparada sobre a base de um óleo feito de uma planta esquisita: o azeite de dendê. O óleo vem do fruto de uma palmeira conhecida como dendezeiro, trazida da África pelos colonizadores portugueses e que encontrou em solo baiano um terreno fértil (e praticamente único) para se desenvolver.
Mas o que os foliões precisam saber na hora de se alimentar nos intervalos da folia são as propriedades alimentícias desse óleo típico da gastronomia local. Conhecido pelo potencial calórico, o azeite de dendê não é um veneno como muitos o rotularam. Trata-se de um óleo rico em vitamina A e betacaroteno, que lhe dão a coloração turva e avermelhada. Também contém doses substanciais de ferro e, embora perca para o azeite de oliva, é uma fonte de gordura monoinsaturada, conhecida por limpar as artérias.
O problema do azeite de dendê está na quantidade de gorduras saturadas. São quatro vezes mais do que a quantidade encontrada no azeite de oliva, por exemplo. O folião-turista não deve se preocupar entretanto. Primeiro porque os males da gordura surgem quando o consumo ocorre por período prolongado. Não vão ser quatro dias de dieta que vão entupir um coração. E, ao mesmo tempo que o visitante conhece as maravilhas da cozinha baiana, supõe-se que está fazendo exercícios diários ao correr atrás do trio elétrico, que é uma excelente forma de prevenir doenças cardíacas. Além dos rodopios, ainda surgem as palpitações típicas do carnaval, aquelas provocadas por troca de olhares e beijos que limpam qualquer artéria.
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