Casa e Decoração
O lado B do design
setembro 2009
O ano de 1855 foi marcado pelo nascimento de um objeto que mudou a forma que o homem se relaciona com os objetos. Foi precisamente neste ano que o inglês Robert Yates inventou o abridor de latas.
Nos meados do século 19, a economia desbravava o fenômeno da industrialização. Um mar de produtos enlatados chegava aos mercados, principalmente conservas e óleos comestíveis e industriais. Como a industrialização era a moda e as latas se popularizaram, pode-se dizer que a invenção de Yates veio ao natural, apenas para suprir uma evidente demanda da população.
Mas este raciocínio seria menosprezar o brilhante trabalho do inventor, saudado até hoje como um dos pais do design moderno. Veja bem: o abridor de latas, na verdade, na sua forma mais conhecida, a mesma concebida por Yates, também é um abridor de garrafas.
Na lateral do objeto, uma pequena barbatana permite a abertura das latas. Na cabeça, um anel dentado semi-circular é o atalho para o refresco de uma cerveja. É brilhante, mas pouca gente percebe a duplicidade do invento. “Abridor de latas” é o seu nome mais popular. Entretanto, “abridor de garrafas” estaria igualmente correto. Daí seguiram-se os martelos com o lado de trás em forma de “v”, por exemplo. De um lado, uma cabeça para afundar o prego. Do outro, um mecanismo para se salvar um prego, que ainda serve como talhadeira em diversas ocasiões.
O design evolui para o conceito de Yates: aproveitamento total da peça, dando o maior número de funções para o objeto e, se possível, agradando o senso estético do usuário. A beleza, tão saudada nos materiais de hoje em dia, é uma nova dimensão para os objetos do nosso cotidiano, uma preocupação que se somou ao desejo de dar funcionalidade total aos objetos. Quem atingir este objetivo, terá o mesmo destino de Yates: será lembrado pela genialidade de um invento trivial 152 anos depois
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