Casa e Decoração

Um convés só seu

setembro 2009

Do alto do convés, o almirante grita para o capitão-de-coverta:

- Espete o salsichão!

- Sim, senhor. Senhor! – responde o subalterno, que, neste caso, é o filho mais velho do almirante.

Talvez com um pouco menos formalidade e sentido de hierarquia, um deck de madeira traz imponência ao jardim.

Não importa que o mar esteja a léguas náuticas de distância: com o deck, o comandante do tradicional churrasco de domingo se sente líder de uma esquadra completa, da fragata ao bote salva-vidas.

Pouco mudou na aparência de um convés de uma nau da época de Cristóvão Colombo e para um deck moderno – circundado de piscina e churrasqueira. As ripas de madeira são as mesmas, mas, em termos de tecnologia, está claro que se passaram 500 anos. O novo boom dos decks está relacionado às novas técnicas de desidratação e proteção das madeiras – no Brasil, as principais espécies utilizadas nos decks são cabreúva, jatobá, pau amarelo, cumaru, maçaranduba, pau marfim, goiabão e muitas outras.

O processo se chama “autoclave”. Além de desidratar a madeira, os químicos lançados nos orifícios da fibra das ripas protegem contra fungos e insetos, eliminando a possibilidade do seu churrasco ruir pela ação de cupins. O almirante preocupado com o meio ambiente também ficará surpreso com os benefícios ecológicos dos decks de madeira.

As árvores utilizadas hoje em dia vêm de reflorestamento. O deck também é uma opção para evitar obras radicais no terreno, possibilitando que o convés fique plano mesmo no mais ondulado dos gramados – ou seriam mares revoltosos? – e facilita na drenagem da água da chuva, já que há mais terra natural no local.

A obra é simples. Basta à tropa começar a obedecer.

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